“E falou o Eterno [YHWH] a Moisés no deserto do Sinai […].” [Nm. 1.1]
É com a narrativa acima que o escritor do livro de Números inicia a história dos filhos de Israel em sua longa passagem pelo deserto.
Trata-se do quarto livro da Bíblia; porém, o seu título original é ‘No deserto’ (בְּמִדְבַּר, Bə’miḏbar), provavelmente, devido ao fato de o livro conter registros de eventos ocorridos durante os quarenta anos que este povo nômade peregrinou pelas areias do deserto do Sinai, desejando chegar à Terra Prometida.
Em geral, o deserto é descrito como um lugar estéril e inóspito, onde temos que lutar contra a sua natureza hostil, para sobrevivermos.
De fato, a complexidade do deserto pode nos causar muitos desconfortos. Nele, todas as dimensões da vida humana são ameaçadas por elementos da finitude que, convertidos em estruturas do mal, nos causam dor e sofrimento.
De certa forma, a solidão é, também, um tipo de deserto que o ser humano experimenta e, consequentemente, uma das causas de sofrimento que carece de sentido.
Sua hostilidade resulta da rejeição do desejo de superar essa crise e da total aceitação da solidão como deserto pessoal.
Somente o amor, como poder dinâmico da vida, nos impele à comunhão e cumpre a exigência de celebrarmos uma festa ao Eterno, em qualquer lugar, até mesmo no deserto!
“Assim diz o Eterno [YHWH], o Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.” [Ex. 5.1]



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