‘Viver só‘ consagrou-se como um estilo de vida do mundo moderno. Hoje em dia, muitas pessoas deixam o seu convívio habitual e passam a viver sozinhas e felizes.
Portanto, longe do que possa parecer, nem todas as pessoas que vivem sozinhas padecem de solidão ou são infelizes.
Algumas, apenas, gostam de ficar desacompanhadas por um tempo mantendo, porém, toda sua rede de relacionamentos ativa. No entanto, interpretar este jeito moderno de viver como uma evidência que possa invalidar a orientação bíblica de Gênesis 2.18 não passaria de um erro.
O texto bíblico, implicitamente, busca chamar a nossa atenção para a face oculta e cruel do isolamento humano: ele sinaliza o lugar comum onde o indivíduo se encontra só [no mundo], aprisionado no vazio da solidão.
Nesse sentido, o tema convida-nos à refletir sobre esta triste realidade social, cuja percepção constitui o principal requisito para a realização de ações em prol de convivências harmoniosas e respeitosas nos processos de construção e reconstrução de relações humanas dignas.
No curso da história, o desejo de reunir as pessoas num convívio mais harmônico, assegurar uma sobrevivência em dignidade a todo ser humano nas diversas partes do mundo, bem como de buscar um consenso a respeito dos fundamentos éticos sobre os quais se deve organizar a vida social, tornaram-se questões centrais no exercício das reflexões teológicas e filosóficas.
Regras e normas de convivência social têm sido propostas com o objetivo de possibilitar uma convivência mais pacífica e respeitosa em sociedades cada vez mais complexas, plurirreligiosas e ao mesmo tempo laicas.
Contudo, indivíduos e grupos sociais, políticos e religiosos com mentalidades diferentes, ainda convivem valorizando as perspectivas éticas que consideram mais adequadas aos seus próprios modos de vida.
‘Viver só‘, realmente, pode ser bom para algumas pessoas. Mas, estar sozinho/a no mundo não é bom para ninguém. Sem o outro, o ser humano não é nada. Sem o outro, tudo perde o sentido.



Você precisa fazer login para comentar.