Na antropologia teológica dos círculos judaico e cristão, o ser humano é compreendido como imagem de Deus [imago Dei]. Isto ocorre não em decorrência da sua aparência ou forma física, e sim por causa do seu intelecto.
Foi a sua estrutura racional – e não a sua forma corporal – que definiu o ser humano como ‘imagem’ de Deus, um ser criado conforme a ‘semelhança’ do Altíssimo. [Gn. 1.26]
Atendendo as exigências da razão, o ser humano exerce a sua faculdade de crítica racional da realidade. A mente humana tem a capacidade de apreender, configurar e transformar a realidade de acordo com a sua forma de percebê-la.
Faz parte das suas características buscar lógica e respostas para as questões que formula no seu encontro com a realidade. E assim, à medida que obtém as respostas e ganha entendimento a respeito daquilo que carecia de compreensão, vai lhe aumentando uma agradável sensação de poder que se verifica quando passa a dominar o que antes não compreendia.
No curso da história, o desenvolvimento acelerado do conhecimento científico e do saber tecnológico conferiu ao ser humano imensos e novos poderes. Então, no exercício de sua liberdade finita, passou a combinar diferentes formas de poder e elaborou um sistema com o qual vem reescrevendo o seu destino, transformando a sua realidade e configurando o mundo à sua imagem e semelhança.
A melhoria da qualidade de vida, alcançada com o avanço da ciência e por meio de variadas tecnologias, é um fato inegável. Hoje, elas estão inseridas em uma grande parte das atividades humanas, tais como: trabalho, transporte, comunicação, saúde, educação e lazer, entre outras.
Obviamente, a despeito de todos os benefícios proporcionados pela integração das mais diversas tecnologias na rotina dos seres humanos, seus efeitos negativos não devem ser ignorados. Vivemos sob o signo de um boom tecnológico que reverbera para o bem e para o mal, e que segue o seu curso sem um limite pré-determinado.
Este estágio atual de potencial capacidade de produzir tecnicamente qualquer resultado, tende a fazer da ciência uma nova ‘religião’ da civilização tecnológica; e da técnica seu objeto de culto e adoração.



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