Quando tudo está bem em nossas vidas, é comum que a sensação de tranquilidade e felicidade nos envolva de tal maneira que não paramos para refletir sobre o que torna possível esse estado de tamanha bem-aventurança.
Neste artigo, abordaremos a forma discreta – e muitas vezes imperceptível – com que Deus age em nosso favor, livrando-nos de males que certamente afetariam nossas vidas, não fosse a Sua divina intervenção.
Para isso, exploraremos o relato dos fatos envolvendo Balaão, filho de Beor, com o povo de Israel, conforme descrito por Moisés nos capítulos 22 a 24 do livro de Números.
Balaão não era israelita, mas de origem mesopotâmica, de Petor, uma cidade situada próxima ao rio Eufrates. Era um adivinho reconhecido por seu suposto poder de realizar encantamentos capazes de influenciar eventos e pessoas, tanto para o bem quanto para o mal.
A história se passa no período em que o povo de Israel, após sair do Egito e antes de entrar na Terra Prometida, armou suas tendas nas campinas de Moabe, uma região de belas colinas e vale fértil, a leste do rio Jordão, na altura de Jericó [Nm. 22.1].
Ao saber da presença do povo de Israel em seu território, Balaque, o rei de Moabe, teme pela segurança de seu reino. Então, numa tentativa de enfraquecer os israelitas por meio de sortilégios, envia mensageiros a Balaão, com o preço dos encantamentos nas mãos, visando a trazer o adivinho para lhes lançar uma maldição [Nm. 22.2-7].
Deus intervém e adverte Balaão para não acompanhar os enviados de Balaque nem amaldiçoar Israel, pois este é um povo abençoado. Diante dessa orientação, Balaão recusa a proposta de Balaque e instrui os mensageiros a retornarem à sua terra [Nm. 22.8-13].
Inconformado com a recusa de Balaão, Balaque envia-lhe uma nova comitiva de príncipes mais honrados e em maior número. O adivinho consulta a Deus novamente e recebe permissão para ir, mas com a condição de falar apenas o que Ele ordenar [Nm. 22.14-21].
Balaque encontra-se com Balaão e o conduz a três lugares estrategicamente escolhidos, esperando que ele amaldiçoe Israel. No entanto, Balaão abençoa o povo israelita em vez de amaldiçoá-lo [Nm. 23]. Ao final, Balaão levanta-se e vai embora, enquanto Balaque, frustrado, segue seu caminho [Nm. 24].
Deus cuidou de Israel, afastando o perigo antes deste sequer chegar ao acampamento. A intervenção divina, agindo antes que Balaão pudesse se aproximar do povo de Israel, sinaliza que Deus também age, muitas vezes, antes que o problema nos alcance e, não raramente, sem que saibamos.
De fato, assim como Israel foi protegido sem que soubesse, Deus também tem cuidado de nós com sabedoria, justiça e amor, mesmo quando não conseguimos ver ou compreender tudo o que acontece nos bastidores da Sua discreta providência.
“Respondeu Jesus e disse-lhe: O que eu faço, não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois”. [João 13:7]



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